Foi mais ou menos, mas tá ótimo



 

Real Madrid 2 x 1 Werder Bremen

 

A Espanha amanheceu dizendo que o Real Madrid começou a Liga dos Campeões com vitória pela primeira vez em três anos, apesar de. De ter jogado mal, de ter sofrido, de ter voltado a apresentar as mesmas falhas, de jogar contra um time fraco. Discordo de quase tudo.

 

O Real não jogou mal, não. Não fez um partidaço espetacular, mas hoje em dia quem faz? Robinho no banco à parte, Bernd Schuster teve o mérito de colocar a equipe para jogar o tempo todo, mesmo depois de marcar o 2 x 1, em vez de encurralar a si mesmo numa situação de sufoco.

 

Valeu a pena:

-         Van Nistelrooy, sempre. E Raúl, coincidência ou não, incomparavelmente melhor desde a saída do camaradaço Ronaldo. Há que admitir também que Higuaín, que foi quem começou no lugar de Robinho, foi um dos melhores.

 

-         A estréia de Marcelo num jogo da Champions. Jogando o que jogou ontem, vai ser o substituto de Roberto Carlos que o Real sempre quis que ele fosse. E  acaba com as necessidades de Schuster de improvisar Drenthe ou deslocar Heinze.

 

 

Schalke 04 0 x 1 Valencia

 

A Garota Capotón é partidária de uma teoria - que na condição de cônjuge servil apoiamos amplamente – de que times que têm algarismos no nome não prestam. E a GC, como é próprio das garotas, não está nem aí para argumentos ou exceções: San Francisco 49ers, Philadelphia 76ers, XV de Piracicaba (porque o fato de o algarismo ser romano não a comove), Munique 1860, Granada 74. Pode aparecer o que for, “é tudo porcaria”. (e, timidamente acrescento, quando eles jogam o placar da partida fica confuso, como se pode ver acima, onde a Gestalt nos leva a crer num inédito 40 x 1)

  

Isto posto, que fique claro que torcemos muito pelo Valencia na estréia em Gelsenkirchen e nos alegramos com a vitória sem-graça, mas importantíssima. Principalmente porque o Chelsea não ganhou do Rosenborg em casa e porque quem decidiu o jogo, como a cada dia, foi um preferido de longa data deste Capotón, David Villa. Diante do que eu lhes pergunto: se o cara fosse brasileiro, você convocaria ele para a Seleção? Eu sim.

 

Maiêutica:

 

- Quem começou com essa mania ególatra de comemorar o gol apontando para o próprio nome na camisa? (tanto Raúl como Villa fizeram isso ontem)

 

- O Robben não parece ter uns 10 anos a mais do que tem?



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 10:07
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Tudo não passou de um tremendo mal-entendido

A espeleologia, que para uma compacta maioria não passa de pura encenação e/ou fetiche, é na realidade uma vertente da ciência reconhecida e aclamada, que já trouxe à luz (e aqui há ironia) nomes tão brilhantes e díspares quanto Platão e Indiana Jones, passando pelos Sete Anões.

 

Pois foi ela mesma, a espeleologia, que atraiu a atenção deste Capotón por tempo mais longo do que a princípio se esperava, levando a viagens insólitas pelo que há de mais nuclear em Israel ou pelos escombros da antiga Odessa, pra lá da península do Peloponeso – e isso para não abusar da protocolar série de dois exemplos.

 

Houve, como sempre há, conselheiros da oposição vaticinando a falência deste Capotón e até mesmo acusando-nos de desrespeito perante o grandissíssimo público que, afinal, é quem nos sustenta e coloca o iogurte na mesa a cada manhã (mentira). Mas não. Por muito que se queira, anseie e torça pelo contrário, seguimos batendo de frente com o establishment, preservando o environment e, em ocasiões específicas e reservadas, matando de enchantment.

 

Recomecemos estabelecendo uma ou outra premissa:

 

- “A fidelidade é subjetiva”, já dizia o cachorro de Calabar, um Fox Paulistinha. O que queremos dizer é que não significa traição o fato de que nos aproximemos com carinho de outra equipe de primeira divisão enquanto os cavaleiros escarlates do Nàstic disseminam o proto-comunismo nas áreas mais carentes da Península Ibérica. E digo isso com especial razão por estar entre aqueles privilegiados que já provaram os Tomates de Murcia - assim, com letra maiúscula -, tanto tempo injustamente embargados pelo capitalismo ianque. Murcia é terra apolítica, mas socialista de coração: um enorme palco para mutirões rurais, festas folclóricas e asilo político a latino-americanos. Murcianos do mundo, uni-vos. A batalha começou, e já faz mais de duas semanas, por sinal.

 

- Yaya Touré/Touré Yaya chegou ao Barcelona mostrando seu apoio a Yao Ming/Ming Yao na cruzada pela liberdade de ir e vir dos nomes e sobrenomes; gesto louvável. O Barça pode ter feito o negócio da década, se é que não nos enganamos como sempre. Se este Capotón tivesse visto Mengálvio jogar, diria que Youré Tata lembra ele – mas com uns toques de Patrick Vieira e outros de Élson (um volante grandão que era quase bom? Que jogou no Santos e no Inter de Porto Alegre?). Nossa imensa simpatia pela Costa do Marfim, principalmente quando pronunciada em francês, Côte d’Ivoire, atingiu níveis patriotistas.

 

- O turbilhão que a imprensa de Barcelona faz por causa dos dois empates por 0 x 0 fora de casa é um descabimento, mas as substituições de Rijkaard no domingo contra o Osasuna até deram vontade de escrever as bobagens que os jornais daqui escrevem. Aos 20 e poucos minutos, contra um adversário satisfeitíssimo em manter o empate, Teddy Ruxpin tirou Ronaldinho para colocar Xavi e trocou Zambrotta por Oleguer. A tentativa de conquistar a banda direita por meio da argumentação política foi válida, mas tirar Ronaldinho? Ele nem vinha jogando mal, mas mesmo que viesse: se alguma coisa tinha qualquer possibilidade de mudar naquele jogo (e tinha muito pouco), era por meio de alguma jogada que desestruturasse a defesa forte do Osasuna (que, repetimos outro ano mais, não é, nunca foi e nem vai ser “Osasuña”, como às vezes alguns marqueteiros tentam divulgar). Segundo Rijkaard contou na entrevista coletiva depois do jogo, a intenção era soltar os laterais (lembrando sempre que um deles, no caso, era Oleguer). Sim, mas e daí? E por que não fazer isso tirando Deco, que há um ano e meio continua sendo considerado um dos melhores meias do mundo mesmo acertando dois passes (ambos bonitos)por jogo? E alguém acha mesmo que, com a cara de Ronaldinho quando saiu, logo depois de dar ordens para toda a defesa, ele se sentia cansado dos dois jogos com o Brasil e preferia descansar antes da Champions desta semana?

 

- Só quem não tem coração ou nunca escutou Velvet Underground, o que no fim é essencialmente a mesma coisa, pode não entrar para o fã-clube de Sunny Sunday.

 

Amanhã deve ter mais, mas não é certeza. As regras continuam as mesmas e o coração, um só. Este site pode até estar à venda, mas pense bem antes de fazer oferta e passar vergonha. Não fazemos fiado.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 15:53
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