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Respondendo aos camaradas rodrigo laemmle e Luiz:
- O livro do Sandro Rosell por enquanto só foi lançado na Espanha, em castelhano e catalão. É uma pena para nós brasileiros, porque, além das histórias do Barcelona, há relatos interessantes sobre sua convivência com a Seleção. Algumas livrarias espanholas fazem entregas internacionais (mas informe-se direitinho sobre o frete, porque susto em euro é pior!). É o caso da Alibri.
- Samuel Eto’o chegou ao Barça quase um ano depois de Ronaldinho, em agosto de 2004, por 24 milhões de euros. Apesar de estar havia 4 temporadas no Mallorca, o camaronês ainda tinha vínculo com o Real Madrid, e então o negócio foi vendido como uma pequena compensação (que acabou virando grande, com o tanto que Eto’o tem jogado pelo Barça) pelo “roubo” de Luis Figo por parte do Real Madrid quatro anos antes. Sandro Rosell ainda não havia abandonado o Barça – o que só aconteceria em junho de 2005 -, mas quem esteve à frente de toda esta transação (diferente da de Ronaldinho) foi o próprio Laporta.
Escrito por Bruno Sassi às 09:53
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Jornalismo-palpite

O primeiro estágio de qualquer boato na Espanha é esse: virar notícia publicada pelos maiores diários do país (como é o Marca, O maior).
Escrito por Bruno Sassi às 10:46
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Boca livre

Entre as supostas revelações de Sandro Rosell em Bienvenidos al Mundo Real, algumas das mais interessantes:
- Joan Laporta quis demitir Frank Rijkaard em janeiro de 2004 e trocá-lo por Felipão
- O presidente do Barça teria sido um opositor ferrenho da contratação de Ronaldinho
- Apesar de já não ter mais cargo algum no Barça, Johan Cruyff continuaria dando todas as cartas relativas a futebol
- Rijkaard teria desabafado no final de 2003, meses antes de uma recuperação incrível do Barça na Liga, a primeira obra de Ronaldinho na Espanha: “Eu sei que tecnicamente ele é o melhor, mas o que eu faço com Ronaldinho? O time não ganha e o problema é a posição dele. Porque além de tudo ele não marca.”
Escrito por Bruno Sassi às 00:19
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Realidade virtual
Ronaldinho, Eto’o, centroavante, meia, treino coletivo, ciúmes, lesão, banco de reservas. Até aí havia problemas, mas pelo menos estávamos falando só de futebol. Mas há algo mais sério e indigno por trás da rixa – como há por trás de tudo neste mundo.
Não foi à toa e não surpreendeu aos que conhecem os meandros do clube quando o presidente Joan Laporta defendeu a atitude de Eto’o de desrespeitar uma ordem do treinador. No meio de suas rajadas que causaram polêmica, o próprio Eto’o meteu o dedo na ferida: “No Barça, há dois grupos. O do presidente e o de outra pessoa. Quem deve estar preocupado agora são os outros, porque a lesão não vai durar a vida toda. O que dói são meus gols e eu vou seguir marcando”.
Isso porque o camaronês é tido no Camp Nou como um “homem de Laporta”, em contraposição ao fato de Ronaldinho ainda ser, até um certo ponto, um “homem de Sandro Rosell” (o que começa a nos aproximar mais do exemplo da máfia do que dos outros).
Depois de ser o responsável pela Seleção Brasileira dentro da Nike e de participar mais do que ativamente na campanha do penta na Ásia em 2002, Rosell acumulou as funções de diretor de futebol e braço direito na chapa de Laporta no Barça. Foi ele, Rosell, quem intermediou o negócio com o Paris Saint-Germain para trazer Ronaldinho.
Numa versão terno-e-gravata do conto Kobe x Shaq, Lennon x McCartney, De Niro x Woods, Rosell chocou-se de frente com Laporta e abandonou o Barça. Saiu soltando a língua e, no ano passado, publicou um dos livros mais vendidos da Espanha: Bienvenido al Mundo Real, em que conta detalhes que desmerecem a capacidade gestora de Joan Laporta.
Apesar de ter se tornado inimigo do rei, Rosell continuou com uma moral deste tamanho no clube. Até hoje Sandro Rosell é um enorme espectro que flutua sobre os escritórios do Camp Nou, e Ronaldinho é a efígie que faz todos lembrarem de sua obra como administrador esportivo (e possível pretendente a voltar ao clube com mais poder).
É chato pensar que o mundo real é assim, mas a polêmica Eto’o x Ronaldinho dos últimos dias não resume apenas a situação de um atacante marrento enciumado porque acha que seu colega cracaço não se dedica tanto quanto ele – e que ainda resolve brilhar bem no dia que deveria ser o de sua volta diante da torcida. É também a síntese de um xadrez de vaidades entre dois almofadinhas.
Escrito por Bruno Sassi às 00:16
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El abrazo partido (parte 2)

Caso
encerrado? Amigos de novo?
Por um
lado até que sim; esta história especificamente não deve render mais material
para as crônicas no estilão Julia da imprensa espanhola. Mas a relação entre
os dois será sempre um guisado de cumplicidade, inveja, elogios em público,
críticas na surdina, vaidade e uma ou outra crítica em público.
“Enquanto
o Barça continuar ganhando, beleza”, pensará o camarada mais pragmático, não sem
certa razão. Mas o que acontece é que, não importa o quanto o Barça siga
vencendo tudo, em algum momento a disputa velada entre os dois será maior do que
seu desejo de ver o sucesso do time.
Hoje,
Ronaldinho e Eto’o são espertos o suficiente para saber que chegam mais longe
enquanto juntos; aturando-se. Como Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, ou Robert De
Niro e James Woods em Era Uma Vez na
América, ou John Lennon e Paul McCartney. Uma metade reconhece a grandeza da
outra, mas também sabe que é f... (como Ronaldinho já atestou com firma
reconhecida quando marcou um golaço contra o Milan em 2005). Até que chega um
dia em que a vontade de ser si mesmo – e não metade de dupla nenhuma – acaba
sendo maior do que a de ganhar juntos.
Por
outro lado, se a comparação é essa, está bom demais: se o Barça da década de
2000 for lembrado como algo da mesma categoria do Lakers tricampeão 2000-02, dos
mafiosos que aplicavam os golpes mais sórdidos das Lei Seca ou (principalmente)
dos Beatles, é motivo para abrir um garrafão de cava por dia.
Escrito por Bruno Sassi às 00:15
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El abrazo partido (parte 1)
Desde o momento em que Eto’o fez cara de emburrado no banco do Camp Nou (aquele Recaro, de couro), na Espanha não se fala de outra coisa. Em três dias, aconteceu que:
a) Eto’o se negou a entrar em campo nos últimos 5 minutos, quando lhe haviam prometido durante a semana jogar 30;
b) Rijkaard não gostou nada da coisa e deixou isso claro na coletiva de imprensa depois da partida;
c) Ronaldinho, perguntado a respeito, cutucou com “as pessoas deveriam pensar no grupo”;
d) Antes de que Eto’o conversasse com o técnico Rijkaard ou o diretor de futebol Berguiristain, falou com o presidente Joan Laporta, que disse que aquilo não era nada e que Eto’o só quer é se recuperar logo e poder jogar;
e) Eto’o não treinou e ainda disse que falar à imprensa que ele não quis jogar “era coisa de má pessoa” e que “ele (Ronaldinho) é que tem que pensar mais no grupo”;
f) O camaronês conversou com Berguiristain e deixou claro que sua palavras – “má” e “pessoa” incluídas – não eram contra Rijkaard, mas Ronaldinho.
Nesta quarta o Barça voltou a treinar completo – Samuel Eto’o incluído – e, no lugar dos olhares de soslaio e mensagens subliminares esperados, o que a platéia sedenta de fel flagrou foi um baita de um abraço entre os dois, Ronaldinho e Eto’o.
(continua...)
Escrito por Bruno Sassi às 00:13
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Lobotomia
Zidane se cansou de jogar, disse adeus, entrou de cabeça na Copa do Mundo como ato final e parou.
Beckham se cansou de ganhar euros para assistir a um time bom, mas bagunçado, e foi ganhar dólares para jogar em um time ruim mesmo.
Ronaldo, que antes podia estar gordo, com frieira, barba por fazer e cara de sono que ainda assim ganhava chance no time, se cansou da cara azeda de Capello e voltou pra Milão, onde já conhece os seguranças das boates.
Agora é Robinho. O estágio com Emerson Leão no Brasil não foi suficiente. Uma coisa é conviver com um chato compatriota, que no fim das contas também já fez churrasco na laje e vai à praia de sunga. Outra é um chato europeu empertigado, com verve ditatorial esculpida por citações de Maquiavel e elogios ao General Franco.
Numa entrevista coletiva nesta terça, o titular da Seleção (até segundo aviso) e reserva do Real Madrid admitiu: “Não sou feliz. Capello não confia no meu futebol”. Provavelmente quando viu as caras de espanto e os jornalistas escrevendo com mais furor nos bloquinhos, ainda tentou um remendo. “Mas claro que ainda tenho o desejo de jogar no Real e de seguir aqui por muito tempo.” Ãhã.
Está claro que Capello nunca se convenceu de que as pedaladas de Robinho podem levar a futebol objetivo e ganhador (como foi o do Santos durante três temporadas). Tal como aconteceu durante o desmanche forçado de seu clube anterior, a Juventus, há um bando de lobos rondando com atenção, comemorando cada derrota do Real e torcendo para o relacionamento sair do eixo de vez.
Comenta-se que o líder da alcatéia é novamente o Milan, que adoraria – tanto por potencial futebolístico quanto por ação de marketing – enfileirar um trio brasileiro de Kaká, Ronaldo e Robinho. O Real, que entende mais de ser lobo do que presa, só liberaria Robinho por 30 milhões de euros – 6 a mais do que pagou.
“O homem é o lobo do homem” - Mogli
Escrito por Bruno Sassi às 11:28
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La mala educación

"E ai de você se disser de novo que o Lopera não é Deus!"
Real Betis x Sevilla é o único verdadeiro clássico regional da primeira divisão da Espanha. Nenhuma outra cidade tem dois clubes do mesmíssimo porte, que divida o censo municipal ao meio – como Grêmio x Inter ou Cruzeiro x Atlético. Real Madrid e Barcelona têm muito mais birra (e inimizade política e histórica) entre si do que contra os vizinhos Atlético de Madrid e Espanyol (que sempre foi primo pobre assumido).
O dérbi sevilhano preocupa mais a polícia do que qualquer outro confronto do país, e o jogo de domingo provou que não é à toa: teve estádio lotado, briga de torcida do lado de fora, reclamação com o árbitro e incidente diplomático. O presidente do Sevilla José Maria Del Nido se recusou a receber um presente comemorativo do centenário do rival – que vem sendo entregue a todos os adversários que o Betis recebe no estádio Manuel Ruiz de Lopera - porque a cerimônia de entrega seria diante da estátua do presidente bético, Manuel Ruiz de Lopera.
Houve empurra-empurra, corre-corre e deixa-disso entre os cartolas das duas equipes na tribuna de honra e, agora, o Betis quer proibir o presidente do Sevilla de entrar no estádio dia 28 de fevereiro, quando os clubes se enfrentam pelas quartas-de-final da Copa do Rei.
(Você entendeu direitinho: o acionista majoritátio do Real Betis, Manuel Ruiz de Lopera, não só propôs uma mudança para que o estádio levasse seu próprio nome como ainda construiu uma estátua em homenagem a si mesmo. Dizem que ele só usa óculos espelhados. Do lado de dentro)
Todos os resultados e os vídeos dos gols da 22ª rodada
A classificação
Os artilheiros
Escrito por Bruno Sassi às 15:34
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O bom, o mau e o bobo
Ronaldinho Gaúcho teve outra de suas atuações que o mundo se acostumou a chamar de “razoáveis” ou “abaixo do seu potencial”: fez os dois gols da vitória por 2 x 0 sobre o Racing Santander e criou sozinho pelo menos outras duas chances claras. Qualquer outro jogador do planeta seria considerado, de longe, o melhor do campeonato até aqui.
Após muita panfletagem, punhos cerrados e referências à Primavera de Praga e à Praça da Paz Celestial, Oleguer passou 90 minutos confortáveis no banco (Recaro, de couro) do Camp Nou. Escutou “U-u-u-la-guê” um bocado de vezes e procurou passar desapercebido. No pé, ainda calçava chuteiras Kelme.
No primeiro jogo em que contou com o trio Ronaldinho-Messi-Eto’o depois de 4 meses, o que mais chamou a atenção de Frank Rijkaard não foram nem os dois gols do brasileiro, nem o apetite com que o argentino entrou no campo. Um pouco mais de 5 minutos antes do fim da partida, o assistente técnico Eusebio Sacristán transmitiu a Samuel Eto’o o recado para que se aquecesse. O camaronês, feito criança mimada, simplesmente falou que não. Durante a semana, disseram-lhe que jogaria 30 minutos. Se era para jogar só cinco, não queria nem entrar. E hoje, segunda-feira, não treinou.
No Barça, já estão todos acostumados com esse tipo de melindre de Eto’o. Mas Rijkaard, se não se mostrou irritado de verdade durante a entrevista coletiva, no mínimo abandonou em público a postura de Dalai Lama - o que, no caso dele, significa um bocado.
Escrito por Bruno Sassi às 15:29
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Oferecido
Como já havia acontecido durante a temporada passada, o Getafe se torna uma das surpresas do campeonato. Apesar de ter perdido metade do time que terminou em 9º em 2005-06, o alemão Bernd Schuster começou tudo outra vez, contratou bem com pouca grana e, depois dos 3 x 0 contra o Valencia no domingo, voltou a ser cotadíssimo para assumir um clube grande pela primeira vez em sua carreira de técnico.
Ottmar Hitzfeld só tem contrato com o Bayern de Munique até o fim desta temporada, e o presidente do clube Franz Beckenbauer já andou elogiando Schuster. O treinador do Getafe lembrou em entrevista ao jornal alemão Bild que seu contrato tem uma cláusula que permite a rescisão em caso de proposta de uma equipe grande. Isso fora duas indiretas: “(Uma proposta do Bayern) É algo que poderia mexer comigo. A Bundesliga me atrai” e “Gosto muito de Madri. Mas Munique, e isso aprendi durante a Copa de 2006, é uma cidade de sonhos”.
(e é mesmo. Não dá pra pensar em outra área metropolitana com quase 3 milhões de habitantes e cheia de atividade cultural que, ao mesmo tempo, tenha um ar tão provinciano. Eu, se fosse o Schuster, topava treinar até o time de pebolim do Bayern)
Escrito por Bruno Sassi às 15:25
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Pra resgatar a audiência

Se você leu os três posts anteriores inteiros, você merece algo bom e divertido, só pra variar.
Escrito por Bruno Sassi às 22:25
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O silêncio das ovelhas (parte 3)

"Meu papel aqui é jogar bola e sobre isso prefiro não falar"
É
trabalho inútil tentar transportar a questão para o Brasil, onde o buraco, como
temos escutado desde o Marquês de Pombal, é muito mais embaixo. Aqui – onde
basta um Sócrates deixar a barba crescer e vestir camiseta do Che Guevara para
ganhar status de Rosa Luxemburgo e Ricardinho é a imagem do jogador
“diferenciado” porque usa advérbios de modo - o cabresto não vem apenas da idéia
de que jogador (e cidadão) bom é jogador quieto. Se a ditadura militar cravou os
dentes e só largou 21 anos depois, como quem desce do lombo de uma mula cansada,
não é culpa somente da mentalidade do “lei não se discute, se cumpre”. No Brasil
(e obviamente a constatação não se restringe ao futebol), tudo nasce de uma
sórdida e calculada falta de escola.
Desde
que meia-dúzia de portugueses decidiu explorar a ignorância de alguns milhares
de índios, o Brasil tomou gosto pela coisa. Mudaram as proporções: a meia-dúzia
virou algumas centenas, e os alguns milhares, vários milhões. De resto, a
estratégia continua a mesma.
Hoje
é frustrante começar a pensar em liberdade de expressão e terminar no mesmo
lugar de sempre, o mesmo buraco mais embaixo. Não tanto por falta de liberdade,
mas pior: de capacidade de expressão.
Para
ler na íntegra o texto de Oleguer Presas (em castelhano), clique aqui.
Escrito por Bruno Sassi às 22:22
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O silêncio das ovelhas (parte 2)
Aos fatos:
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Iñaki de Juana Chaos é um membro do grupo separatista basco ETA que, em 1987,
foi preso acusado de 25 assassinatos terroristas. Da cadeia, continuou sendo
figura importante, tanto por sua ligação com o movimento quanto por sua carreira
literária – um livro de memórias e um de ficção. Em 2006, quando estava prestes
a ser liberado após dúzias de recursos e reduções de pena, foi novamente
condenado, acusado de ameaçar a vida de políticos e juízes em dois artigos que
publicou.
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Em novembro de 2006, De Juana Chaos foi condenado a mais 12 anos na cadeia pelo
crime de ameaça. Quando soube da sentença, iniciou uma greve de fome – sua
segunda, já que entre agosto e outubro havia estado 63 dias sem comer. A greve
se estende até agora. De Juana Chaos tem sido alimentado, contra sua vontade,
por uma sonda nasogástrica. Em 25 de janeiro, a Audiência Nacional decidiu por
12 votos a 4 que o prisioneiro deve permanecer encarcerado enquanto se submete
ao tratamento para salvar sua vida, porque a situação foi provocada livre e
voluntariamente.
-
Na semana passada, durante uma entrevista coletiva pós-treino na sala de
imprensa do Barça, Oleguer deu declarações sobre o caso De Juana Chaos. Comparou
o basco a outros prisioneiros que já foram liberados por motivos de saúde –
entre eles um ex-Secretário de Estado, um empresário e um ex-chefe da Guarda
Civil. Na ocasião, anunciou que um artigo seu com essas opiniões seria publicado
no dia seguinte no jornal basco Berria
e no catalão La Directa (ambos
nanicos).
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O presidente do Barça Joan Laporta repreendeu com veemência o fato de seu
jogador utilizar um espaço do clube para difundir opiniões pessoais. Disse que
era “desnecessário” opinar sobre “um tema tão delicado”.
-
A empresa espanhola Kelme rescindiu o contrato de patrocínio que mantinha com
Oleguer no dia seguinte à publicação do artigo. Pepe Quiles, representante da
Kelme, explicou: “Estamos no esporte para contratar esportistas e buscamos a
imagem que considerados adequada para vender. Não queremos que alguém que veste
e calça Kelme expresse opiniões ou embates políticos. Queremos esportistas que
façam comentários sobre o esporte. Não permitimos que um atleta nosso fale de
outras coisas que não sejam o esporte. Contratamos e pagamos para
isso.”
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Um site de notícias catalão propõe um boicote à
Kelme.
Até o momento, há pouco mais de 17 mil adesões.
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A empresa de artigos esportivos catalã Munich anuncia que
vai oferecer a Oleguer um novo contrato de patrocínio.
Escrito por Bruno Sassi às 22:14
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O silêncio das ovelhas (parte 1)

Oleguer, além de ser um zagueiro duvidoso, tem língua presa
Entre os jogadores do elenco do Barça que Frank Rijkaard realmente põe para jogar, o zagueiro Oleguer Presas é provavelmente o mais limitado. E, no entanto, está lado a lado com Ronaldinho, Eto’o e Puyol como um dos mais festejados pela torcida no Camp Nou. Cada vez que ele entra em campo, sai de campo, chuta bola pra lateral ou pede desculpa por cruzamento errado (porque raramente faz algo muito melhor que isso), o estádio responde animado com um “U-u-u-la-guê!” (porque em catalão a pronúncia é “U-la-guê”, não “Óleguer” nem “Oleguér”).
A razão da simpatia é a posição política do zagueiro. Embora não tenha um histórico de terrorismo separatista como o País Basco, a Catalunha é uma região da Espanha que não se sente nada, nada espanhola. Os catalães nasceram de outro reino que não tinha patavina a ver com o de Castela; falam outro idioma (que foi proibido durante a ditadura do General Franco) e têm características de comportamento e manifestações culturais absolutamente próprias. Por tudo isso, existe um forte – embora em geral pacífico – movimento nacionalista.
Oleguer nasceu em Sabadell, cidade operária a 25km de Barcelona, foi formado nas categorias de base do Barça e desde cedo militou em partidos nacionalistas catalães. Seu histórico de ícone político inclui o livro Camí d’Itaca, participar ativamente de uma campanha pela oficialização das seleções nacionais esportivas da Catalunha e declarar que, se chamado, jamais aceitaria jogar pela seleção da Espanha. Na realidade, acabou aceitando fazer parte de uma pré-convocação de Luis Aragonés para uma espécie de concentração antecipada. Apresentou-se calado, saiu discreto e nunca mais foi chamado (seu futebol também nunca exatamente clamou por isso, sejamos francos).
Essa biografia toda é para contextualizar o verdadeiro assunto em questão aqui. Como se trata de um pouco de realidade demais para o niilismo pregado pelo Capotón, divido os fatos em tópicos curtos (no post seguinte), para evitar soar como um editorial do Estadão (com todo o respeito a quem quer que ainda o mereça).
Escrito por Bruno Sassi às 22:13
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