Pra minha mãe, pro meu pai e pra você


Ufa, che, qué cosas no hago yo por papá?

Depois de cinco anos de mau-humor, Juan Román Riquelme conseguiu voltar para o Boca Juniors, de onde só saiu porque este é o caminho natural de quem joga bem num clube da América do Sul. Por ele, teria curtido a mesma 10 do Boca, comido o mesmo asado de tira do tio Pepe, recebido os mesmos elogios de Maradona, ad infinitum.

Riquelme foi salvo da pobreza por seu talento para jogar bola, mas isso não significa que adore jogar bola. Pelo menos não profissionalmente. Quer dizer, não adora vencer ou realmente se importar com o que acontece no campo. De tão naturalmente talentoso que é e de tanto que esse talento mudou a sua vida e de sua família, Riquelme deixou de dar valor a qualquer outra coisa.

 

Quando bate uma falta com preguiça ou quando dá entrevista coletiva com descaso, o que seu rosto de saco-cheio quer dizer para o mundo é que na verdade ninguém sabe de nada, que essa gente toda é tonta de se preocupar tanto com o esquema tático da seleção, que o que importa não é o pênalti que ele perdeu e podia ter colocado o Villarreal na final da UEFA Champions League, que a vida é muito mais do que essa farra que vocês fazem por causa de futebol. É uma espécie de carapaça psicológica contra todas as críticas: para escapar, coloca-se acima delas e pronto. Vocês que falem o que quiserem.

 

No momento de sua carreira em que as críticas foram mais diretas do que nunca, o motivo que o levou a desistir de jogar com a seleção não foi desavença com o treinador, intenção de dar espaço aos mais jovens, indignação com a imprensa ou preguiça de pegar vôo intercontinental. Riquelme elevou a discussão: partiu para o amor materno, metafísico e indiscutível. Com tanta gente chamando o filho de molenga e amarelão, responsabilizando-o pela eliminação na Copa do Mundo, a mãe sofria. Foi internada duas vezes. É como se seus pais, que viram a vida mudar graças ao talento do filho, agora se preocupassem mais com seu sucesso do que ele próprio – que já teria desde o começo da carreira cumprido sua missão redentora.

 

Que constem nos autos uma declaração do dia em que anunciou sua retirada da seleção argentina: “Meu pai está orgulhoso. Ele gosta mais de futebol do que eu e, para ele, ter visto eu jogar uma Copa foi incrível. Ficou mais alegre que eu”.

 

Pois, com tudo isso, de onde diabos Riquelme ia tirar vontade para se esforçar numa partida da Copa do Rei, só para mostrar a Louis Van Gaal que tinha vaga no time titular do Barcelona? Ou que diferença ia fazer levar o Villarreal ao 3º lugar do Campeonato Espanhol ou não?

 

Agora, de volta a Buenos Aires, lado a lado com a aflição do pai e a saúde frágil da mãe (pra não falar do asado de tira do tio Pepe), o futebol pode voltar a fazer sentido. Mas, por mais que volte a ser rei em La Bombonera, Riquelme será lembrado sempre como um daqueles sul-americanos que jamais ganhou nada na Europa. Como alguém que tem mais vídeos de lances bonitos no YouTube – e a maioria inócuos, no meio-campo –do que medalhas na gaveta.

 

E o pior (melhor?): ele não vai estar nem aí para isso.

PS: Se você quer fazer uma denúncia à Associação Argentina de Psicologia por exercício ilegal da profissão, clique aqui.



Escrito por Bruno Sassi às 23:53
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Espanha 1 x 0 Inglaterra

Não que a Espanha tenha jogado lá tão bem (assim como o Brasil não jogou lá tão mal contra Portugal na terça e perdeu), mas ganhar de um time grande fora de casa era o respiro de que Luis Aragonés precisava.

 

- Villa, de novo, foi o melhor. É o cara mais confiável da equipe hoje

 

- Albelda não tem por que entrar nem no mesmo vestiário que seus concorrentes (Cesc, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta). Ele é mais defensivo e durão que todos esses? Pode ser. Mas, tendo a opção de recuar tantos caras bons para jogar de primeiro volante, não dá para pensar nele como titular

 

- Sergio Ramos e Puyol, suspensos contra a Dinamarca, dia 24 de março, devem ser substituídos pelos dois que entraram ontem: Ángel, do Celta, na lateral-direita e, na zaga, e Javi Navarro (Sevilla) – mais famoso como o sujeito que, em 2004, mandou o venezuelano Arango para dois dias de UTI.



Escrito por Bruno Sassi às 10:42
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Paella Valenciana

Luis Aragonés usou o Valencia - a melhor equipe espanhola que não depende essencialmente de estrangeiros - como base para o time titular que enfrenta a Inglaterra hoje às 18h em Old Trafford (ao vivo na ESPN Brasil).

A escalação:
Casillas (Real Madrid); Sergio Ramos (Real Madrid), Pablo (Atlético), Puyol (Barcelona) e Capdevila (Deportivo); Xavi (Barcelona), Albelda, Angulo e Silva; Villa e Morientes (os últimos 5, todos do Valencia).

O técnico já avisou que vai fazer as 6 alterações a que tem direito, por isso todos os cidadãos de bom senso preferimos acreditar que deixar Cesc Fábregas e Xabi Alonso no banco seja apenas uma experiência (apesar da fixação incompreensível que Aragonés sempre teve pelo volante Albelda).

No banco, ficarão Pepe Reina (Liverpool), Javi Navarro (Sevilla), Arizmendi (Deportivo), Antonio Lopez (Atlético), Ángel (Celta), Iniesta (Barcelona), Cesc Fábregas (Arsenal), Xabi Alonso (Liverpool) e Fernando Torres (Atlético).

"El Niño" Torres, que sonha com um dia jogar tudo o que os espanhóis dizem que ele joga, voltou à lista de convocados depois de ficar de fora do amistoso contra a Romênia (derrota por 1 x 0), em novembro. 

(Diferente da idéia que muitas vezes se tem, a receita original da paella valenciana - mais típica na região - não tem nada de mariscos ou qualquer outro fruto do mar. De carnes, leva frango e coelho. A que acabou se tornando mais famosa internacionalmente, com as conchas por cima e aqueles camarões obscenos, é a paella marinera)



Escrito por Bruno Sassi às 10:55
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¿Te gusta España?

Depois da enxurrada de perguntas que recebeu antes do jogo contra o Brasil sobre uma possível transferência para o Barcelona, Cristiano Ronaldo pela primeira vez teve alguma aproximação concreta com o time catalão. O diretor de futebol do Barça Txiki Bergiristain viajou até Londres horas antes do amistoso para se encontrar com Jorge Mendes, o empresário de Ronaldo. Bergiristain foi acompanhado do olheiro do Barça Pepe Costa, que é amigo de meio time de Portugal, inclusive de Felipão.

Claro que encontros como esse acontecem às dúzias, todos os dias. Mas num momento em que se fala tanto do assunto e em que o próprio Cristiano Ronaldo admite que seu futuro é incerto, é sempre prudente acompanhar a fumaça para ver se o fogo realmente aparece.



Escrito por Bruno Sassi às 10:17
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Em time que perde também não se mexe

Ramón Calderón e Peja Mijatovic, claro, mantiveram Fabio Capello.

 

Demiti-lo agora seria retroceder de vez à era que os dois passaram tanto tempo criticando. Começar mais uma operação-limpeza antes mesmo de acabar a anterior seria institucionalizar o caos.  Por mais que os dois dirigentes não gostem nada de ver Beckham assistindo às derrotas do Real da tribuna de honra (enquanto conta os euros de seu salário, que não são poucos) ou de ter Van Nistelrooy como único centroavante no elenco, chegaram à conclusão lógica de que é melhor dar tempo para Capello fazer o que acha melhor e ver no que dá.

 

O diário Marca diz em sua matéria de capa de hoje que uma enquete entre os jogadores do Real Madrid – daquelas secretas, que todo mundo depois nega e nunca se sabe se aconteceu mesmo ou foi um balão de ensaio - aponta que ninguém agüenta mais o italiano (o que não seria de se estranhar, pois perto dele Emerson Leão fica parecendo um bonachão).

 

Se for verdade, isso sim, bem mais do que a insatisfação da diretoria, ainda pode causar problemas para Capello (é ou não é, Luxemburgo?).

 

(O lateral-esquerdo Marcelo voltou a treinar pela primeira vez desde o dia 9, quando torceu o tornozelo. Já deve estar pronto para a próxima rodada)



Escrito por Bruno Sassi às 19:52
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Dia do fico (mais uns dias)

"Será que tem vôo pras Bahamas dia 29 de março?"

 

Amanhã, quarta-feira, às 18h de Brasília, Espanha e Inglaterra jogam em Old Trafford (Manchester), com transmissão vivo da ESPN Brasil. É só um amistoso, mas que vai definir o tamanho da pressão em cima do técnico Luis Aragonés nos dois próximos jogos dos espanhóis no Grupo F das Eliminatórias para a Euro-2008: contra a Dinamarca (24/03) e a Islândia (28/03). Depois de três partidas, a Espanha tem 3 pontos e é a 5º colocada numa chave de 7 países(!), atrás de Suécia (12), Dinamarca e Irlanda do Norte (7) e Letônia (3). Irlandeses e suecos têm um jogo a mais.

 

A pausa para o inverno era tudo o que Aragonés precisava. A corda afrouxou em volta do seu pescoço sem que ele – ou o time – tivesse que fazer nada. E, apesar do desgosto geral desde a eliminação para a França nas oitavas-de-final da Copa do Mundo, há garantia de que o técnico fica no mínimo até o jogo contra a Islândia. “Nem perdendo por goleada não haverá mudança no banco da seleção. Confiamos no técnico”, jura o presidente da Real Federación Española de Fútbol, Ángel María Villar.

 

Aí sim, se o time continuar com pinta de que fica fora da Euro-2008, acontecerá aquilo que as pessoas de bom tom costumam chamar de “encerrar um ciclo”.



Escrito por Bruno Sassi às 19:47
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Vício Perigoso

 

Muricy, além de bom treinador, é um bom sujeito, que não veste aquela voz-padrão na hora de dar entrevistas. Quando perguntado de onde diabos conhecia Fredson, novo reforço do São Paulo, saiu com uma resposta que pegou bem: “Eu não apenas gosto de futebol. Sou viciado em futebol”.

 

Legal, mas duas ressalvas:

 

a)   Um técnico de primeira linha conhecer os jogadores (ainda mais os brasileiros) de um campeonato que tem pelo menos dois jogos transmitidos ao vivo toda semana está mais para obrigação do que para motivo de espanto (e isso quem tinha de pensar era quem fez a pergunta);

 

b) O Fredson é ruim de bola. Ao contrário do que pareceu chegar até aqui como versão oficial, o Espanyol não aceitou emprestá-lo simplesmente porque ele não se dá bem com o técnico Ernesto Valverde – que outro dia vi ser tratado como alguém que “tem alergia a brasileiros”, só porque também não vê nada demais em Eduardo Costa e Jônatas (dois caras que não têm nada demais). Nos últimos dois anos, Fredson nunca foi titular fixo do time de Barcelona (onde era usado mais como meia do que como volante). Se alguém está ansioso por ver um substituto do Mineiro, melhor nem vê-lo jogar: é muito (mas MUITO) mais lento e menos inteligente com a bola no pé. É mais ou menos como um Fabão que resolvesse abandonar a zaga e armar a saída de bola.

 



Escrito por Bruno Sassi às 19:36
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Fora Calderón? Ou Capello? Michel Salgado? O massagista?

O Valencia aos poucos vê sua legião de bons atacantes – Villa, Morientes, Vicente, Joaquín – se afinando e, com um 3 x 1 sobre o Atlético, já é o 3º.

 

O Barcelona empatou em Navarra e pelo menos comemorou a volta de Eto’o, depois de quatro meses parado com uma ruptura de menisco. 

 

O Sevilla, em casa, não ganhou do esbodegado Real Sociedad, mas a verdade é que já está feliz de vida só por estar na briga pela liderança.

 

Só quem continua sem um porém é o Real Madrid: não só perdeu no Santiago Bernabéu para o Levante (que hoje estaria rebaixado) como sofreu uma pañolada – uma salva de vaias, assobios e lenços brancos agitados. Na Espanha, é a forma mais radical de a torcida mostrar que já não agüenta mais. Algo como uma versão civilizada de invadir o campo para tirar a questão a limpo, ou saltar para a tribuna de honra acertar um catiripapo em algum dirigente.

 

São tantos os problemas do Real, e tão enraizados, que mesmo quem exige uma solução imediata não sabe bem que solução é essa. Demonizaram a gestão Florentino Pérez. Pois ele renunciou e convocou eleições. Queriam um técnico linha-dura e de nome. Pois veio Fabio Capello, mais linha-dura que o Sargento Tainha. Achavam um disparate as contratações de medalhões consagrados, quase todos para o ataque. Pois vieram Emerson, Diarra, Gago... Não admitiam o clima de Festival de Cannes, com tantos popstars de papo pro ar juntos. Pois Ronaldo, Beckham e Cassano foram devidamente escorraçados. E continua não dando certo.

 

Claro que é um processo lento, que não é de um dia pro outro que um modelo de administração – ou que coisa nenhuma – muda completamente. Mas vá lá explicar isso para o torcedor com o time jogando mal desse jeito e apanhando para um equivalente espanhol da Portuguesinha Santista. 

 

Na capa de sua edição de hoje, o principal diário esportivo do país, o Marca (que é de Madri), admite: demissão, sim, mas de quem? 

 

 

(“......, Demissão” - Escreva neste espaço o nome que considerar apropriado)

 

A classificação após a 21ª rodada

 

Os resultados do fim-de-semana

 

A lista de artilheiros

 



Escrito por Bruno Sassi às 12:11
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Eeeestá valeendo!

Ainda acostumado a encontrar novidades e pensar "hmm, legal" em vez de publicá-las por aqui, lanço a pedra fundamental daquilo que - ao lado d' A Bola na Bota e do Thank God for Football - tem a louvável pretensão de traçar um panorama de tudo o que acontece de interessante nos principais campeonatos nacionais do mundo. Longa vida ao Capotón!

"Toda pedra é fundamental" - Fred Flintstone



Escrito por Bruno Sassi às 10:50
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