O negócio do século

Informamos àqueles que não têm TV a cabo e, portanto, recebem com atraso as notícias realmente relevantes: em troca de seis anos de fornecimento ininterrupto e semanal de sardinhas ao escabeche (que é, essencialmente, o que alimenta nós dois aqui em casa, eu e Fito, o gato gástrico), este ponto foi passado - e a limpo. Vosso novo interlocutor é adepto ingênuo do feng shui e, portanto, achou prudente remodelar a casa que a partir de agora passa a comandar. Este espaço físico seguirá aberto para todo o sempre e está disponível para receber casamentos, congressos e festas de final de ano de empresas. O novo e autêntico Capotón, obra do colega piscicultor Juan Polanco, é o:

http://capoton.blig.ig.com.br

Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 22:15
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Verdadeiro ou falso?

 

 

- As 4 bolas seguidas no travessão eram mais passíveis de desconfiança, mas e esta daqui?

 

- Já diz Noel Gallagher, entre tantos outros, que “you need to be yourself”. Foi Joan Laporta querer sair demais da sua placidez simpática e cara de Antoine Doinel e fazer pose de durão que falou uma bobagem sem tamanho. Pediu aos jogadores que pegassem leve nos jogos das respectivas seleções no fim-de-semana, porque afinal quem paga o salário deles é o Barça. A resposta foi imediata e sem meias-palavras: quem viaja para jogar com a seleção num torneio importante não vai para passar o jogo encostado na lateral arrumando a meia (e ai quem de quem usar esta frase para fazer piada com Roberto Carlos).

 

- Por falar em bobagem sem tamanho, um dos poucos personagens que nos dá vontade de agir feito imbecis e partir para a ofensa (mas resistimos), Luis Aragonés. Depois de ter ido embora do estádio de carro por conta própria, de fazer greve pessoal de silêncio, de incentivar jogador com comentário racista e por aí afora, agora, coloca mais uma telha de vidro no seu teto já esburacado: perde a calma diante de uma pergunta sobre a discutida ausência de Raúl e ainda rebate com o espetacular argumento: “quantos mundiais já ganhamos com Raúl para que vocês queiram tanto ele?”. Se isso é motivo para não chamar alguém, os 22 postos da seleção espanhola – como de quase todas as outras do mundo – ficam vagos.

 

- E você, aliás, acha que Raúl tem que ser convocado?



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 16:50
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Hebdomadário

Semanas passam, semanas vêm e perseguem, e no entanto não conseguimos nos livrar dos compromissos com a entomologia forense – ciência das mais exigentes em quanto a número de horas dedicadas ao trabalho e tipo de companhia que se costuma ter (são todos uns vermes!).

  

Enquanto isso, recordemos um par de preceitos indiscutíveis e suscitemos algumas dúvidas epistemológicas:

 

- É estranho, insano ou blasfemo dizer que Andrés Iniesta é o melhor meio-campista do PLANETA neste exato momento (18h15, horário de Barcelona – GMT+2)?

 

- Assim que Ronaldo terminou de brigar com Capello e foi para o Milan, meio mundo caiu em cima do Real Madrid dizendo que depender do grosso do Van Nistelrooy para fazer gol era loucura. Verdadeiro ou falso?

 

- Que imenso embuste a imprensa espanhola - e pegamos o exemplo específico de Barcelona porque é aqui que estamos, e o especificíssimo do Mundo Deportivo porque é o que chega todo dia na porta do escritório (de entomologia forense, por cierto). Depois de eles mesmos inventarem a guerra, na sexta-feira passada a capa do diário decretou, por conta própria, sem consultar ninguém nem comprovar a inexistência de armas de destruição em massa, que “o debate está cerrado”. E publicou fotos de Ronaldinho jogando bola na praia com o filho (durante as férias, há meses), disse que agora sim ele voltou a sorrir. Segunda-feira, depois dos 3x0 contra o Atlético de Madri, a capa de novo foi uma brincadeirinha com o bom feeling  entre Ronaldinho e Messi. E de repente a audiência já acha que gosta do brasileiro de novo, e vai para casa feliz depois de ser tocada como um piano, como dizia o velho Hitchcock.

 

- Ninguém, nem os 3x0 sem quase tocar na bola, nos tira da cabeça que este ano é de Kun Agüero.

 

- Aliás, não só dele: também do mexicano Guardado, do Deportivo. Fora os já consagrados Yaya Touré Yaya, Sunny Sunday e o Salpicón Murciano.

 

 

- Os times espanhóis conheceram seus adversários naquela que, ao que parece, é a segunda fase (embora haja quem diga que é a terceira, e outros, que é a primeira fase de grupos, mas a segunda no cômputo geral. Isso se você não contar as prévias, óbvio) da Copa da UEFA – a melhor aula rápida de geografia que você pode encontrar.

 

Atlético de Madri – Panathinaikos (GRE), Lokomotiv Moscou (RUS), Aberdeen (ESC) e Copenhague (DIN) (naquele que talvez seja o único grupo só com times que um sujeito comum já ouviu falar)

 

Villarreal – AEK Atenas (GRE), Fiorentina (ITA), Elfsborg (SUE) e Mlada Boleslav (vai dizer que você não sabe??)

 

Getafe – Tottenham Hotspur (ING), Anderlecht (BEL), Aalborg (DIN) e Hapoel Tel Aviv (ISR)

 

Os três melhores de cada grupo avançam, o que deveria significar tarefa fácil para os três espanhóis.

 

- Maldita hora pro Afonso inventar de marcar 7 gols.

 

- Henk Ten Cate não tem currículo para dirigir o Chelsea, é o que muito barcelonista está dizendo. Mas tem, sim, pelo menos meia Champions e meio bicampeonato de Liga. Pode perguntar para o Rijkaard.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 16:56
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Exórdio

Passamos os últimos quatro dias vasculhando toda Barcelona, e inclusive os arredores algo inóspitos de Badalona e L’Hospitalet, em busca de algum bom mestrado em objetividade – fosse esse lato, stricto ou contra sensu -, mas não tivemos sucesso.

 

Pior: este Capotón ainda se deparou com a terrível casualidade de se encontrar na mesma sala em que um Manual da Redação da Folha de S. Paulo – um cânone que, entre um bocado de doutrinas um pouco menos decisivas para o destino do planeta, estabelece que ela, a objetividade, não existe. O que, de certa forma, resolve o nosso problema e tira uma importante arma das mãos de nossos opositores e seus cérberos sentinelas.

 

Isto posto, falemos de Ronaldinho. Ou recomponhamos um punhado de eventos recentes:

 

- 16 de setembro: Ronaldinho não joga bem, mas também não joga mal, e é substituído no segundo tempo contra o Osasuna. O Barcelona empata em 0 x 0.

 

- 19 de setembro: Ronaldinho não joga bem, mas também não joga mal, e é substituído no segundo tempo contra o Lyon. O Barcelona ganha por 3 x 0.

 

- 20 de setembro: a imprensa quebra um pacto tácito e fala abertamente sobre uma saída de Ronaldinho pela noite barcelonesa, 48 horas antes do jogo contra o Osasuna, na véspera de um treinamento que começaria às 10h da manhã.

 

 - 21 de setembro: segundo se comenta no Camp Nou, muitos sócios do Barça, indignados, passam o dia ligando para o clube denunciando o absurdo que é o sujeito chafurdar na boemia na véspera de um dia de trabalho. No clube, só se fala nas subsitutições, no suposto “baixo rendimento”, no “Código Interno de Disciplina” que foi implantado este ano. Joan Laporta admite que “Ronaldinho não vive seu melhor momento” e que “agora é hora de apoiá-lo”.

 

- 22 de setembro: alegando uma contratura muscular na panturrilha, Ronaldinho não fica nem no banco na vitória por 2 x 1 sobre o Sevilla. Messi, autor dos dois gols, os comemora fazendo o hang loose que deixou de ser sinônimo de surfe e passou a ser do camisa 10.

 

- 24 de setembro: o tom das críticas a Ronaldinho nos jornais, rádios e emissoras de TV não esmorece nada. Seu irmão e manager, Roberto de Assis, declara que “há gente usando as críticas a Ronnie para na verdade atingir outras pessoas”. Perguntado se se referia a possíveis farpas contra Sandro Rossell, diz: “não vou falar nomes, não sei. Mas tenho esta impressão.”

 

 

- 25 de setembro: o The Sun, cujas palavras têm tanta credibilidade quanto as da TV Senado, garante que Abramovich vai comprar Ronaldinho agora mesmo, por 70 milhões de euros. O site Todo Corazón – um daqueles que leva o termo credibilidade a outra dimensão cosmogônica – capricha mais no roteiro adaptado e garante que o problema é que Ronaldinho está de camaradagem com a filha do técnico, Lindsay.

 

E é assim que se têm vivido em Barcelona os intervalos entre uma objetividade e outra. Amanhã, se a paleontologia ajudar, relatamos a reação buco-maxilar de Frank Rijkaard a mais uma coletiva de imprensa pós-jogo no sábado e tentamos chegar a alguma conclusão (subjetiva, quando não adjetiva) sobre o caso Ronaldinho. Além, é claro, de um relatório completo daquela que já começa a ser famosa como "A Rapsódia do Século", disputada no último sábado: Nàstic 4 x 1 Poli Ejido.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:10
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Foi mais ou menos, mas tá ótimo



 

Real Madrid 2 x 1 Werder Bremen

 

A Espanha amanheceu dizendo que o Real Madrid começou a Liga dos Campeões com vitória pela primeira vez em três anos, apesar de. De ter jogado mal, de ter sofrido, de ter voltado a apresentar as mesmas falhas, de jogar contra um time fraco. Discordo de quase tudo.

 

O Real não jogou mal, não. Não fez um partidaço espetacular, mas hoje em dia quem faz? Robinho no banco à parte, Bernd Schuster teve o mérito de colocar a equipe para jogar o tempo todo, mesmo depois de marcar o 2 x 1, em vez de encurralar a si mesmo numa situação de sufoco.

 

Valeu a pena:

-         Van Nistelrooy, sempre. E Raúl, coincidência ou não, incomparavelmente melhor desde a saída do camaradaço Ronaldo. Há que admitir também que Higuaín, que foi quem começou no lugar de Robinho, foi um dos melhores.

 

-         A estréia de Marcelo num jogo da Champions. Jogando o que jogou ontem, vai ser o substituto de Roberto Carlos que o Real sempre quis que ele fosse. E  acaba com as necessidades de Schuster de improvisar Drenthe ou deslocar Heinze.

 

 

Schalke 04 0 x 1 Valencia

 

A Garota Capotón é partidária de uma teoria - que na condição de cônjuge servil apoiamos amplamente – de que times que têm algarismos no nome não prestam. E a GC, como é próprio das garotas, não está nem aí para argumentos ou exceções: San Francisco 49ers, Philadelphia 76ers, XV de Piracicaba (porque o fato de o algarismo ser romano não a comove), Munique 1860, Granada 74. Pode aparecer o que for, “é tudo porcaria”. (e, timidamente acrescento, quando eles jogam o placar da partida fica confuso, como se pode ver acima, onde a Gestalt nos leva a crer num inédito 40 x 1)

  

Isto posto, que fique claro que torcemos muito pelo Valencia na estréia em Gelsenkirchen e nos alegramos com a vitória sem-graça, mas importantíssima. Principalmente porque o Chelsea não ganhou do Rosenborg em casa e porque quem decidiu o jogo, como a cada dia, foi um preferido de longa data deste Capotón, David Villa. Diante do que eu lhes pergunto: se o cara fosse brasileiro, você convocaria ele para a Seleção? Eu sim.

 

Maiêutica:

 

- Quem começou com essa mania ególatra de comemorar o gol apontando para o próprio nome na camisa? (tanto Raúl como Villa fizeram isso ontem)

 

- O Robben não parece ter uns 10 anos a mais do que tem?



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 10:07
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Tudo não passou de um tremendo mal-entendido

A espeleologia, que para uma compacta maioria não passa de pura encenação e/ou fetiche, é na realidade uma vertente da ciência reconhecida e aclamada, que já trouxe à luz (e aqui há ironia) nomes tão brilhantes e díspares quanto Platão e Indiana Jones, passando pelos Sete Anões.

 

Pois foi ela mesma, a espeleologia, que atraiu a atenção deste Capotón por tempo mais longo do que a princípio se esperava, levando a viagens insólitas pelo que há de mais nuclear em Israel ou pelos escombros da antiga Odessa, pra lá da península do Peloponeso – e isso para não abusar da protocolar série de dois exemplos.

 

Houve, como sempre há, conselheiros da oposição vaticinando a falência deste Capotón e até mesmo acusando-nos de desrespeito perante o grandissíssimo público que, afinal, é quem nos sustenta e coloca o iogurte na mesa a cada manhã (mentira). Mas não. Por muito que se queira, anseie e torça pelo contrário, seguimos batendo de frente com o establishment, preservando o environment e, em ocasiões específicas e reservadas, matando de enchantment.

 

Recomecemos estabelecendo uma ou outra premissa:

 

- “A fidelidade é subjetiva”, já dizia o cachorro de Calabar, um Fox Paulistinha. O que queremos dizer é que não significa traição o fato de que nos aproximemos com carinho de outra equipe de primeira divisão enquanto os cavaleiros escarlates do Nàstic disseminam o proto-comunismo nas áreas mais carentes da Península Ibérica. E digo isso com especial razão por estar entre aqueles privilegiados que já provaram os Tomates de Murcia - assim, com letra maiúscula -, tanto tempo injustamente embargados pelo capitalismo ianque. Murcia é terra apolítica, mas socialista de coração: um enorme palco para mutirões rurais, festas folclóricas e asilo político a latino-americanos. Murcianos do mundo, uni-vos. A batalha começou, e já faz mais de duas semanas, por sinal.

 

- Yaya Touré/Touré Yaya chegou ao Barcelona mostrando seu apoio a Yao Ming/Ming Yao na cruzada pela liberdade de ir e vir dos nomes e sobrenomes; gesto louvável. O Barça pode ter feito o negócio da década, se é que não nos enganamos como sempre. Se este Capotón tivesse visto Mengálvio jogar, diria que Youré Tata lembra ele – mas com uns toques de Patrick Vieira e outros de Élson (um volante grandão que era quase bom? Que jogou no Santos e no Inter de Porto Alegre?). Nossa imensa simpatia pela Costa do Marfim, principalmente quando pronunciada em francês, Côte d’Ivoire, atingiu níveis patriotistas.

 

- O turbilhão que a imprensa de Barcelona faz por causa dos dois empates por 0 x 0 fora de casa é um descabimento, mas as substituições de Rijkaard no domingo contra o Osasuna até deram vontade de escrever as bobagens que os jornais daqui escrevem. Aos 20 e poucos minutos, contra um adversário satisfeitíssimo em manter o empate, Teddy Ruxpin tirou Ronaldinho para colocar Xavi e trocou Zambrotta por Oleguer. A tentativa de conquistar a banda direita por meio da argumentação política foi válida, mas tirar Ronaldinho? Ele nem vinha jogando mal, mas mesmo que viesse: se alguma coisa tinha qualquer possibilidade de mudar naquele jogo (e tinha muito pouco), era por meio de alguma jogada que desestruturasse a defesa forte do Osasuna (que, repetimos outro ano mais, não é, nunca foi e nem vai ser “Osasuña”, como às vezes alguns marqueteiros tentam divulgar). Segundo Rijkaard contou na entrevista coletiva depois do jogo, a intenção era soltar os laterais (lembrando sempre que um deles, no caso, era Oleguer). Sim, mas e daí? E por que não fazer isso tirando Deco, que há um ano e meio continua sendo considerado um dos melhores meias do mundo mesmo acertando dois passes (ambos bonitos)por jogo? E alguém acha mesmo que, com a cara de Ronaldinho quando saiu, logo depois de dar ordens para toda a defesa, ele se sentia cansado dos dois jogos com o Brasil e preferia descansar antes da Champions desta semana?

 

- Só quem não tem coração ou nunca escutou Velvet Underground, o que no fim é essencialmente a mesma coisa, pode não entrar para o fã-clube de Sunny Sunday.

 

Amanhã deve ter mais, mas não é certeza. As regras continuam as mesmas e o coração, um só. Este site pode até estar à venda, mas pense bem antes de fazer oferta e passar vergonha. Não fazemos fiado.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 15:53
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Velozes

Henry mal chegou e o departamento de alfaiataria do Barça já começou a tecer seu traje de homem-aranha

 

Bom é pouco

O consenso parece querer indicar que Thierry Henry foi uma boa contratação para o Barcelona, mas eu, honestamente, não entendo. Não entendo como não escuto rojões, ou, se escuto, são só sobras da festa de São João, que foi ontem. Henry é um craque, um dos cinco melhores atacantes dos últimos 20 anos. Mesmo que Eto’o vá embora, o Barça sai ganhando: Henry é muito, muito, muito mais jogador do que Eto’o. Se tivesse que trocar um pelo outro, pau a pau, eu fazia o negócio sem pensar. O francês já tem 30 anos e o camaronês 25? Continuo aceitando a troca. Dizem que Henry tem no máximo mais 3 temporadas em alto nível; pois que tenha. Que tenha só duas. Se forem duas como as oito consecutivas que ele teve no Arsenal, prefiro ele antes de qualquer outro ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Messi.

 

(O outro reforço, Yaya Touré, confesso que conheço essencialmente daqueles breves momentos em que a Garota Capotón adormece e o caminho fica livre pra assistir também ao futebol de segundo escalão. Mas parece ser o tipo de cara que o Barça precisa, principalmente depois que Rafa Márquez contraiu o Mal de Edmílson e se transformou numa massa disforme; metade volante, metade zagueiro.)

 

Monday, monday

O Valencia largou na frente e conseguiu uma contratação difícil de igualar: vai contar em 2008 com o sujeito de nome mais cool de toda a Liga, o nigeriano-que-poderia ser-título-de-música-do-Velvet-Underground Sunny Sunday, de 18 anos. Trata-se de um garoto que chegou à Espanha na situação de imigrante ilegal e foi acolhido pelo Poli Ejido (time pelo qual este Capotón nutre uma parlamentar simpatia). 

 

Commodities

O quilo do García sofreu uma disparada brutal na semana passada, quando o Atlético de Madri pagou 12 milhões de euros ao Osasuna por Raúl García e, ato seguido, o Valencia ofereceu outros 12 milhões para cima da conta do Espanyol, para levar Luis García. Dois dias depois, já era impossível encontrar um livro de García Lorca custando menos de 6 milhões de euros.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 16:56
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Depois de amanhã ninguém sabe

Como dizíamos, a zona mista ao ar livre do Nàstic rendeu um breve papo com Thiago Motta. Segundo se comenta por aqui, antes mesmo de o Barça já ter uma lista de jogadores com quem não conta mais, o volante já estava nela. Ele, Belletti, Sylvinho, Rafa Márquez, Edmílson e Giuly seriam teoricamente o topo da tal lista, que se for verdadeira logo logo vai causar um movimento interessante no mercado.

Pela segunda semana consecutiva, uma hora e pouco com o título na mão e, no final, ele vai embora. Tem jeito mais frustrante de perder do que este?

Não é fácil aceitar, não mesmo. Mas não é para pensar que perder o título foi coisa de agora; isso vem de toda a temporada. Não vou dizer que tínhamos o título na mão, mas tínhamos uma chance muito boa de ser campeões e fomos deixando o Real Madrid chegar. A vitória deles foi merecida. Nós falhamos muito.

Qual foi o momento-chave da decisão do título? O gol do Tamudo? O do Rafael Sobis?

Acho que foi, em casa, não ter ganho do Real Madrid; ter permitido o empate em 3 x 3. Se ganhássemos ali, não teríamos essa desvantagem no confronto direto que acabou decidindo o campeonato. Aquilo deu ânimo ao time deles, que começou a jogar bem e, como eu disse, mereceu ser campeão.

E nestes últimos dias já houve alguma conversa sobre o seu futuro?

Ainda não sei de nada. Estava esperando terminar a Liga. Tenho um ano de contrato com o clube ainda, mas meu representante vai sentar com o Txiki (Bergirtistain, secretário-geral do Barça) e então vamos ver o que é melhor para as duas partes, o clube e eu.

Mas você sente que já teve mais moral dentro do Barcelona?

(chateado) Ah, bem mais.

 

Por quê?

Vão acontecendo coisas. Eu me machuquei também, mas não é isso: acaba pesando ficar tanto tempo no mesmo lugar (desde 1999); acaba desgastando a relação. Não com meus companheiros nem com o treinador - com eles sempre tive bom relacionamento. Mas com algumas pessoas de dentro do clube o desgaste é grande, e acho que nao é gostoso ficar assim num lugar. Você tem que se sentir bem para jogar

Você sente que não foi valorizado como deveria nesta temporada? 

(abrupto) Não, não posso colocar a culpa em ninguém; isso quero deixar claro. A culpa de tudo o que aconteceu aqui eu tenho que assumir. Só não posso assumir as mentiras que falaram: não sei se da parte do clube ou dos jornalistas; não sei de onde veio. É a única coisa que não posso aceitar. O resto tenho que aceitar e assumir. (as mentiras a que Motta se refere são as ocasiões, que não foram poucas, em que o acusaram de - para usar uma proparoxítona - notívago)



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:13
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O fim é o fim (7)

22h50: O improviso CharlieParkeriano dos tarraconenses entra em cena: para acomodar tanta gente na Zona Mista, o pessoal do Nàstic monta um corredor no próprio gramado, na porta dos vestiários. Os jogadores passam por lá, voltam para o vestiário e de lá para casa. Este Capotón troca meia-dúzia de palavras com Thiago Motta, entrevistinha que você lê aqui mesmo amanhã (ou depois).

 

 

 

23h55: Apesar de Tarragona estar na Catalunha, há pelo menos 250 madridistas reunidos numa praça no centro da cidade, fazendo barulho, soltando bombas e gritando de tudo, principalmente insultos contra o Barça e a Catalunha. A coisa não tem cara de que vá acabar bem. Ainda falta ver os gols da rodada na televisão para declarar oficialmente, mas a verdade é que o campeonato acabou, enfim.

 

0h22: Quando você acha que já não há mais diversão adiante, eis que sintonizamos na festa do Real Madrid na praça La Cibeles – um monumento no centro de Madri. Para evitar que os torcedores subam na estátua e a destrocem, a festa é organizada calculadamente. O capitão Raúl sobe numa grua, acompanhado apenas de dois funcionários, para colocar uma bandeira do Real e um cachecol no pescoço da estátua. A grua demora horas para conseguir ficar na posição certa, Raúl tenta disfarçar, mas está evidente que ele se sente ridículo desequilibrado e sendo segurado pela cintura pelo camarada que trabalha no controle da grua. Somos partidários do sentimento Unesco da prefeitura de Madri ao preservar o monumento, mas se é para ser assim não é melhor simplesmente fazer outra coisa?

 

Amanhã (ou depois) divulgamos também nossa seleção do espanhol - a que sai publicada na PLACAR deste mês - e também a que foi escolhida pelos leitores.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 08:14
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O fim é o fim (6)

22h35: GOL de Diarra em Madri!!! Boa parte da torcida do Nàstic comemora e se dirige ao cantinho onde estão os torcedores do Barça – inclusive os “Boixos Nois”, um grupo de torcedores encrenqueiros que foi proibido de entrar no Camp Nou.

 

22h37: GOL de Reyes em Madri e GOL de um alemãozinho que entrou no time do Nàstic. E é aqui que a coisa fica feia: os torcedores de Tarragona se entusiasmam por marcar o gol no mesmo momento em que o Real Madrid, e, de alguma forma que o subconsciente explica, começam a se sentir responsáveis pela perda do título do Barça, apesar de o placar estar 4 x 1. É a segunda vez em uma semana que os culés comemoram o título durante mais de uma hora e de repente vêm tudo escorrer. A turma azul-grená parte para cima da torcida, tenta pular a grade de divisão. A segurança privada se junta a um batalhão de choque, que senta a pua na rapazeada. Cadeiras voam, copos de cerveja idem. Por alguma razão, o futebol brasileiro vem à mente. O campeonato, senhoras e senhores, está terminado.

 

 

22h45: GOL. Zambrotta marca o que parece o último golzinho antes do final do treino tático, quando todos os jogadores já estão pensando no que vão comer na janta e nem sabem mais o que está acontecendo. Anticlímax em estado brutíssimo. O jogo acaba, 15% das pessoas que ainda estavam por lá invadem o gramado. Puyol quase sai na mão com um sujeito careca que tenta arrancar da sua mão a camisa de um jogador do Nàstic com quem ele trocou a sua.

 



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:06
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O fim é só o fim (5)

21h46: Como na semana passada, o Barcelona chega ao intervalo com a liderança da Liga na mão. Desta vez, se algo acontecer será só por mérito do Real Madrid, porque aqui acabou. Desvencilhado das obrigações de digitar no seu estojo de maquiagem, Jet Li olha embasbacado para algo que não dá para definir se são estas anotações cuneiformes feitas numa folha sulfite que ele acha obsoletíssima ou o empadão de frango que trazemos embalado em papel alumínio.

 

22h05: GOL de Messi, mas quase ninguém percebe nem grita, para não atrapalhar o jogo do Madrid no radinho. Alguém, em alguma parte do estádio, deve ter dito “¿Donde está Gui?”. O telefone sem fio falha e por alguns instantes a cabine 2 prende o ar pelo “Gol del Madrid”. É delicioso ver equipe grande jogando num campinho como o do Nàstic; é mais ou menos como ver o filme do Natal na casa da avó em uma sala do Cinemark (só que ao contrário). Mas, mesmo assim, ninguém mais se interessa. Puyol encosta no árbitro e propõe que todos se sentem no meio-campo, cervejas e amendoim à frente, com o alto-falante do estádio sintonizado no jogo do Real. O árbitro, um tradicionalista, recusa. Mas diz que vai pensar no caso.

 

22h22: GOL em Madri, agora é sério. Suor coletivo, com exceção de uma parte da torcida do Nàstic, que comemora timidamente. Nada disso aparece no placar eletrônico, que continua entediado nos 4 x 0 (ou está 5?).

 

22h28: Frank Rijkaard, que gosta das coisas claras, oficializa que o jogo já não interessa mais e coloca Motta e Oleguer em campo. “Dois que não fazem nada”, analisa iracunda a Garota Capotón. “O Motta é o típico boa-vida: só aproveita o salário, a vida de jogador do Barça.” Ela é a dona do pedaço. A única storyline que de alguma maneira se pode seguir é a de Eto’o, que já perdeu umas 8 chances de marcar aquele que poderia ser seu último gol com a camisa do Barça. Os barcelonistas, que antes cantavam adoidados, fazem uma cara de quem passa na alfândega: estão evidentemente nervosos, mas tentam manter a naturalidade, para não denunciar ao inimigo.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:05
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O fim é só o fim (4)

 

21h08: Já sacamos como vai ser a comunicação com o jogo do Santiago Bernabéu. Perdidas, três palavras chegam até a cabine, cada uma vinda de um canto: “bola”, “trave” e “Mallorca”. Versões vão sendo ruminadas e retransmitidas até, uns 40 segundos depois, chegar a confirmação: bola na trave do Mallorca. O Barça ataca, tem gol anulado (de Eto’o), e a Garota Capotón prudentemente adverte: “Não podemos ir muito para cima, senão no contra-ataque eles nos matam”. Com “nós”, no caso, sendo o Nàstic. Criei um monstro.

 

21h15: GOL do Mallorca! A torcida do Barcelona, espremida num canto do estádio, explode. Outros tantos barcelonistas espalhados pela arquibancada, também. Os torcedores do Nàstic se dividem: alguns comemoram, outros se calam. Quem marcou foi Varela, avisa o camarada do El Periódico, torcedor do Barça, suando.

 

21h17: Garota Capotón: “Vai, Nàstic, deixa o Barça marcar!” E começamos a entender algo mais sobre a volatilidade do coração feminino. Para não falar no sentido premonitório, já que às

 

21h21: GOL do Barça! Puyol, em dia especialmente epilético, marca de carrinho. “O Nàstic meio que deixou”, vaticina a Garota Capotón, algo desapontada. O estádio está confuso. Quem não queria torcer para o Barça, fica sem graça. A maior libélula jamais registrada em solo não-africano pousa em frente à nossa cabine e tapa a visão da grande área do Barça. Para quem já leu por aqui outras amostras do realismo mágico tarraconense, nada que chame muito a atenção.

 

21h34: GOL do Barça! Messi, como sempre. Quando ele domina a bola, no primeiro toque para arrancar para algum lado, não há quem o segure. No mundo. A libélula, irritada, investe contra o companheiro do El Periódico, que combina pelo celular a comemoração desta noite. O segundo gol congestiona a pista de pouso na lateral esquerda da área de Victor Valdés: são 14 aviões de papel de diferentes companhias aéreas espremidos em 3 metros quadrados.

 

21h38: GOL! Ronaldinho marca mais um na temporada em que mais anotou com a camisa do Barcelona, apesar de ser a que mais foi criticado. O foco definitivamente se volta para o Santiago Bernabéu. Os torcedores do Nàstic começam a se arrepender de não terem trazido uma mudinha de roupa com a camisa do Barça que todos eles têm em casa.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:04
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O fim é só o fim (3)

 

 

20h51: Os times entram em campo ao som do hino da Catalunha, numa versão que poderia perfeitamente entrar na trilha sonora de Réquiem para um Sonho. E isso não é nem o mais destacado da ambientação pré-evento: logo entra o hino do Nàstic, que qualquer um desavisado é capaz de jurar que se trata de uma versão catalã para A Noviça Rebelde. O estádio está lotadíssimo e, ao contrário do que muita gente supunha, a torcida do Nàstic (uns 70% do total) realmente faz barulho: vaia o hino do Barça, grita alto.



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:04
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O fim é só o fim (2)

20h31: Informações-chave começam a ser desvendadas: tudo corre bem e é verdade que temos cadeirinhas reservadas, na cabine 2, onde temos como colegas o pessoal do El Periódico, do catalão L’Oportunitat, da rádio BBC e de alguma coisa chamada Jet Sports, que deduzo ser o codinome do japonês magrinho, com um laptop só um pouco maior do que o estojo de maquiagem da Garota Capotón. Diferente do que normalmente acontece, a coletiva de imprensa depois do jogo será numa salinha fechada que os camaradas tarraconenses ambiciosamente denominam “pavilhão”. Isso porque têm mais de 400 jornalistas credenciados - o que é mais do que todos os que já se formaram até hoje pela Universidade Federal de Tarragona, no caso hipotético de que ela existisse.

 

 

20h42: O primeiro momento mágico da noite, cortesia do homem-de-cara-verde, um mascote que anima a torcida com seu bumbo solitário e faz a garotada tarraconense se lembrar do seus tempos de Jogos da Primavera na escola. O japonesinho Jet Set olha desconfiado, tentando entender o porquê de uma promoção de lançamento de Shrek 3 àquela altura dos acontecimentos. Ele não entende, ninguém entende, ninguém se importa.

 



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 17:03
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O fim é só o fim

Ganhar a Liga Espanhola não é tão difícil assim. Difícil é perder o campeonato, e não só uma vez, mas várias, como aconteceu com o Barcelona nas últimas semanas.


Este Capotón resolveu martiricamente assistir de perto à última frustração da equipe que até outro dia era o paradigma de jogo bonito, mas ao mesmo tempo vencedor, e que agora gera consenso sobre a necessidade de reformular. Para melhorar, o desfecho do título espanhol coincidia com a despedida iconoclástica do Nàstic, cujos ensinamentos doutrino-sentimentais agora são assunto para a classe menos privilegiada da segunda divisão. Aos fatos, pois:

 

20h09: É fácil reanimar-se da viagem letárgica de trem até Tarragona: respirar fundo e sentir o ar de decisão que paira sobre a cidade, e que na verdade pode ser o breve sanduíche de rosbife que antecede a ida até o ponto de ônibus. E agora sim podemos dizer que é dia de jogo, depois desse encontro com parte expressiva da barravieja organizada do Nàstic. É por meio deles que sabemos que Edu salvou o Betis com dois gols, e que Celta de Vigo e Real Sociedad acompanham o Nàstic na segunda divisão no ano que vem. Ao que o líder da facção adverte: “vão ser rivais complicados”

 



Escrito por B. Sassi (capoton@uol.com.br) às 16:54
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